Nessa sexta-feira (8), dia Internacional da Mulher, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou dados de um estudo que mostra que a mulher brasileira ainda recebe menos 20,5% do que os homens. Em outros aspectos, como jornada de trabalho, a mulher tem uma maior desvantagem, pois cumprem dois horários e recebem um, o trabalho doméstico e o trabalho fora de casa.

Os dados são relativos ao quarto trimestre de 2018, baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), consideraram apenas pessoas entre 25 e 49 anos. A disparidade entre os rendimentos médios mensais de homens (R$ 2.579) e mulheres (R$ 2.050) ainda é de R$ 529. A menor diferença foi de R$ 471,10 em 2016, quando as mulheres ganhavam 19,2% menos.

Do total de 93 milhões de ocupados, apenas 43,8% (40,8 milhões) são mulheres, enquanto 56,2% (52,1 milhões) são homens. No ano passado, a faixa etária de 25 a 49 anos totalizava 56,4 milhões de pessoas em todo o Brasil, sendo 54,7% de homens e 45,3% de mulheres. E o desemprego entre as mulheres ainda é maior. A taxa de desemprego de 11,6% no quarto trimestre de 2018, entre as mulheres foi (13,5%) contra a dos homens (10,1%).

Apesar de as mulheres trabalharem menos horas do que os homens, segundo o estudo (37h54min) contra (42h42min), a jornada de trabalho da mulher não reflete sua dupla jornada, como os afazeres domésticos e os cuidados com os filhos e os idosos.

O que tem levado as mulheres a defenderem, além da igualdade salarial, creches nos locais de trabalho, a ampliação da licença-maternidade e nenhum direito a menos como prevê a Reforma da Previdência de Bolsonaro que visa ampliar a idade mínima para a aposentadoria da mulher para 62 anos.

Segundo a pesquisa, a desigualdade é disseminada no mercado de trabalho em todas as ocupações destacadas no estudo.

“O que temos nas ocupações é que de modo geral, na grande maioria, as mulheres ganham menos. Nas ocupações que selecionamos para o estudo, as mulheres ganham menos em todas. As maiores proximidades de rendimento, ainda que não haja igualdade, ocorreram no caso dos professores do ensino fundamental, em que as mulheres recebiam 9,5% menos que os homens”, diz a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

O pior resultado foi observado entre os profissionais das ciências e intelectuais, onde a maioria são mulheres (63,0%), mas recebiam apenas 64,8% do rendimento dos homens no mesmo cargo.

Entre as ocupações com a maior desigualdade, destacam-se os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e dos gerentes de comércios varejistas e atacadistas, em que mulheres recebem 35,8% e 34% menos que os homens, respectivamente. Profissões como médicos especialistas e advogados também sofreram com a desigualdade: elas recebiam 28,2% e 27,4% menos, respectivamente.

Já para os integrantes das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, o rendimento habitual das trabalhadoras equivalia a 100,7% do rendimento dos homens no ano passado.

O estudo mostra que a diferença entre o rendimento médio das mulheres brancas, negras ou parda é menor do que dos homens da mesma cor. Correspondia, em média, a 60,0% do recebido pelos trabalhadores de cor branca. No entanto, a proporção de rendimento médio recebido pela mulher branca ocupada em relação ao de homem branco ocupado (76,2%) era menor do que a da mulher de cor preta ou parda (80,1%) em relação ao homem do mesmo grupo de cor ou raça, em 2018.

Para o IBGE, essa desigualdade menor entre rendimentos de pretos e pardos pode estar relacionada ao fato dessa população ter maior participação em ocupações que frequentemente são remunerados pelo salário mínimo.

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