"Ministro da Justça Sérgio Moro, (Rafael Marchante/Reuters)"

Em entrevista na noite desta quinta-feira (13), ao ‘Estado de S. Paulo’, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirma aoEstadoque não vai se afastar do cargo.

Moro comentou a entrevista no Twitter e reforçou que agiu dentro da legalidade. ‘Não posso reconhecer a autenticidade dessas mensagens’, apontou um viés político-partidário contra a Operação Lava Jato nas reportagens publicadas pelo site The Intercept e desafiou a divulgação completa do material.

Sérgio Moro pede a divulgação íntegra dos diálogos hackeados e “Se quiserem publicar tudo, publiquem. Não tem problema”, afirmou um confiante Moro.

O ministro disse que parte das conversas com o procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol, publicadas pelo site de notícias “The Intercept Brasil”,  lhe causa ‘bastante estranheza’.

Sergio Moro negou a existência de um “conluio” com a força-tarefa da operação e afirmou que não há risco de ser anulado o processo do tríplex do Guarujá (SP), no qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em segunda instância.

Sergio Moro, alegou estar sendo alvo de uma organização criminosa profissional e que “afastaria (do cargo de ministro) se houvesse uma situação que levasse à conclusão de que tenha havido um comportamento impróprio da minha parte” para “site aliado a hackers criminosos: ‘Publiquem tudo se quiserem’. Não vou pedir desculpas por ter cumprido o meu dever e ter aplicado a lei contra a corrupção e o crime organizado”, destacou o ministro na rede social.

Sobre o cargo Moro disse que “agora estou em outra situação, estou como ministro da Justiça, não mais como juiz, mas tudo o que eu fiz naquele período foi resultado de um trabalho difícil. E nós sempre agimos ali estritamente conforme a lei. Qualquer situação, despido o sensacionalismo, está dentro da legalidade. Conversar com procuradores, conversar com advogados, isso é absolutamente normal”.

Sérgio Moro denuncia que o Alvo de ataque cibernético e de vazamento de diálogos atribuídos a ele com procuradores da Lava Jato e no Telegram, que o País está diante de “um crime em andamento”, promovido, conforme sua avaliação, por uma organização criminosa profissional.

“Eu, particularmente, acho que isso não foi tarefa de um adolescente com espinhas na frente do computador, mas de um grupo criminoso organizado, e a polícia está empenhada em verificar esses fatos. Não é só a questão minha, ou dos procuradores, muita gente sofreu a mesma tentativa de invasão criminosa, inclusive jornalistas, já temos notícias de possíveis parlamentares terem sido vitimas dessa prática.”

Na entrevista Moro afirmou que, durante a invasão, não foi possível acessar o conteúdo de seu Telegram, aplicativo em que os diálogos ocorreram, segundo o “Intercept”. O ministro descartou impactos do caso para o governo Jair Bolsonaro e para o pacote anticrime.

“essas invasões criminosas dos dispositivos dos procuradores e a tentativa de invasão do meu, eles, até onde sei, não conseguiram pegar o conteúdo do meu Telegram. Poderiam ter pego, não tem problema nenhum quanto a isso. Mas não conseguiram, porque não estou no Telegram. Não tenho essas mensagens”, disse.

“Estamos falando aqui de um crime em andamento, pessoas que não pararam de invadir aparelhos de autoridades ou mesmo de pessoas comuns e agora têm uma forma de colocar isso a público, podem enviar o que interessa e o que não interessa. E também esse veículo [The Intercept] não tem nenhuma transparência com relação a esse conteúdo. Então vai continuar trabalhando com esses hackers?” “Não excluo a possibilidade de serem inseridos trechos modificados, porque eles não se dignaram nem sequer a apresentar o material a autoridades independentes para verificação. Aquele material não é o material original? Será que não teve outra coisa que foi editada ali dentro? Então quer dizer se amanhã invadirem os telefones de jornais, de empresas, dos ministros do Supremo, de presidente do Senado, de presidente da Câmara, vão aceitar que isso seja divulgado por esse mesmo veículo?”, disse.

Moro sugeriu que os diálogos sejam entregues a uma autoridade independente, como Supremo Tribunal Federal (STF).

“Tem muita gente que quer fazer tudo para acabar com a operação. E conseguiram, aparentemente, gerar um sensacionalismo com base em ataques criminosos de hackers. Se não querem apresentar à Polícia Federal, apresenta no Supremo Tribunal Federal. Aí vai poder verificar a integridade daquele material, exatamente o que eles têm, para que se possa debater esse conteúdo. Agora, do contrário, eu fico impossibilitado de fazer afirmações porque eu não tenho o material e, por outro lado, eu reconheço a autenticidade de uma coisa e amanhã aparece outra adulterada”, disse.

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