Alterações climáticas e transmissão de doenças infecciosas

Segundo a OMS, não existe tratamento nem vacina disponíveis. O vírus Nipah é uma preocupação de saúde pública e está na lista da agência de doenças prioritárias.

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12/06/2022

Pesquisas analisaram como o desmatamento, a extinção e o comércio de animais selvagens levam à disseminação de doenças entre animais e humanos.

Segundo especialistas, as mudanças climáticas podem influenciar maior transmissão de doenças.

No ano de 1997, um incêndio nas florestas tropicais da Indonésia, que alastrou numa área aproximadamente ao estado americano da Pensilvânia.

A área desmatada teve como objetivo principal a expansão da agricultura.

Essa área tornou-se um clima quente, que foi agravada pela seca na e sem as árvores que davam seus frutos, forçou o êxodo da população de morcegos frugívoro em busca de alimento. Essa espécie no contexto de zoonoses, no seu sistema imunológico, carrega junto vírus que provoca doenças mortais.

Grande parte dos morcegos brasileiros preferem insetos, já a maioria ao redor do mundo é frugívoro, ou seja, se alimentam de frutos. Os morcegos são animais capazes de carregar uma enorme quantidade de vírus, bactérias e parasitas e transmitir para as pessoas.

Apesar da maioria dos morcegos serem capazes de transmitir doenças, nem todos mordem as pessoas e transmitem o microrganismo, apenas os morcegos que se alimentam de sangue ou aqueles que se alimentam de frutos e que se sentem ameaçados.

O biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fez duas grandes descobertas.

Encontrou uma colônia de morcegos raros na caverna do Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco, conhecido como morcegos-vampiros-de-pernas-peludas.

Descobriu que os hábitos alimentares do animal hematófagos (que se alimentam de sangue) e devido a ação do homem naquela área, não tinha muita opções de alimentos.

Esse animal é acostumado a alimentar do sangue de cabras, bodes e cachorros.

O biólogo analisou as fezes dos animais descobriu que os morcegos estavam também alimentando de sangue humano.

Conforme Enrico Bernard, os morcegos-vampiros modificaram os hábitos alimentares devido habitarem numa caatinga, que já foi muito afetada pela ação do homem.

Merecem destaque espécies ameaçadas de extinção como a onça-parda (Puma concolor), a onça pintada (Panthera onca), o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) o guigó-da-Caatinga (Callicebus barbarabrownae), que é o único primata endêmico desse bioma, e o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), espécie endêmica do Brasil.

Além das aves de grande porte seriam a base da alimentação, devido ao desmatamento e a seca, não existem mais devido às ações humanas.

“O registro de humanos como presas e a ausência de sangue de espécies nativas podem refletir uma baixa disponibilidade de aves silvestres no local de estudo, reforçando o impacto das atividades humanas nos processos ecológicos locais. Isso também abre um leque de possibilidades de pesquisa sobre morcegos hematófagos na Caatinga, tanto sobre a biologia da espécie quanto sobre as consequências para a saúde pública, considerando o potencial aumento da transmissão da raiva na região”.

Os morcegos são temidos pelos seres humanos, por sua reputação ruim, sendo o único mamífero voador que carrega inúmeros agentes patógenos que infectam seres humanos. Através do contato direto ou dos excrementos, que pode transmitir doenças nada agradáveis.

Voltando ao assunto do título da matéria.

Eliminar a espécie para evitar doenças não é recomendável, porque é uma prática ilegal e configura crime ambiental. Morcegos desempenha papel ecológico fundamenta na natureza.

Consumir frutas contaminadas com urina ou saliva de morcegos que carregam o vírus é a forma mais frequente de infecção.

Registro da OMS informa que o sul da Índia teve um surto do vírus Nipah, que pode ser fatal em humanos. A prevenção pode ser feita evitando contato com morcegos e com pessoas com a doença, além da lavagem de mãos regularmente.

A OMS explica que o vírus Nipah é transmitido de animais para humanos, mas também pode passar de uma pessoa infectada para outra. Consumir frutas contaminadas com urina ou saliva de morcegos que carregam o vírus é a forma mais frequente de infecção.

Segundo a OMS, a prevenção pode ser feita evitando contato com morcegos e com pessoas com a doença, além da lavagem de mãos regularmente.

A doença é também altamente infecciosa em porcos.

O Vírus Nipah é transmitido por morcegos infectados e pode provocar desde sintomas respiratórios a encefalites mortais. Foi detectado pela primeira vez em 1998, durante um surto em Kampung Sungai Nipah, na Península da Malásia, que causou 105 mortes. Nesta ocasião os suínos foram os transmissores para o ser humano.

Pessoas haviam desenvolvido uma grave inflamação cerebral, 105 delas vindo a óbito.

O vírus Nipah também pode ser transmitido ao homem ao tomar suco de frutas contaminas e sua mortalidade é considerada alta. Para cada 100 pessoas infectadas, de 40 a 79 morrem, ou seja, cerca de 75%.

Pessoas haviam desenvolvido uma grave inflamação cerebral, 105 delas vindo a óbito. Foi a primeira manifestação conhecida do vírus Nipah em humanos, que, desde então, vem causando uma série de surtos recorrentes em todo o sudeste asiático.

O vírus Nipah é apenas um dentre tantos que transmitem doenças infecciosas, que veio da vida no mato para as cidades. Existem evidências científicas sugerem  ser o desmatamento que está dando início a complexos acontecimentos que deu condições para a transmissão humana.

Sem tratamento

O vírus Nipah causa sintomas parecidos com o da gripe, como febre, dor de cabeça, dores musculares, vômito e dor de garganta. Mas pode levar à pneumonia e a problemas respiratórios severos.

Em muitos casos, os pacientes têm convulsões e encefalite, que é uma forte dor de cabeça.

Segundo a OMS, não existe tratamento nem vacina disponíveis. O vírus Nipah é uma preocupação de saúde pública e está na lista da agência de doenças prioritárias.

O vírus da Zika, que foi descoberto em florestas de Uganda no século 20, só pôde cruzar o mundo e infectar milhões de pessoas porque encontrou no Aedes aegpti, mosquito abundante em áreas urbanas, um hospedeiro.

O futuro é sempre incerto, o clima muda, os ciclos econômicos são imprevisíveis. Desastres, acidentes e doenças podem mudar a vida num ápice. Estas ações estão, em grande parte, fora do nosso controlo. Mas, existem algumas coisas que podemos controlar inclusive o modo como usamos o nosso tempo no dia a dia.

Sim, devemos aprender com o passado e agir, preparando para o nosso futuro.

Fontes pesquisadas: ONU, OMS, Ecycle, UFPE, Bioone, Fiocruz.

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Jornalista Hernane Amaral,

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