sexta-feira, janeiro 21, 2022
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Estudo identifica novo mecanismo de regulação da inflamação sistêmica

Macrófagos são células do sistema imune responsáveis por fiscalizar alterações nos tecidos,

Agência FAPESP * – Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram que macrófagos do baço e do fígado se comunicam e atuam na regulação da inflamação sistêmica, resposta natural do sistema imune a infecções mais graves.

A descoberta abre novas perspectivas para entender melhor a importância da comunicação entre órgãos em infecções graves ou generalizadas, o que pode servir como base para estudar novos tratamentos.

A pesquisa foi publicada em artigo na revista Science Signaling e teve apoio da FAPESP pelo Projeto Temático “Hipotermia na sepse: causas e consequências”.

Macrófagos são células do sistema imune responsáveis por fiscalizar alterações nos tecidos, induzindo a produção de proteínas, chamadas de citocinas, que “avisam” o organismo de que há um agente infeccioso que precisa ser eliminado. Até então, acreditava-se que os macrófagos do baço eram os maiores produtores de TNF, a primeira citocina pró-inflamatória liberada durante uma infecção.

No entanto, segundo o pesquisador Alexandre Steiner, coordenador do estudo, em entrevista para a Acadêmica Agência de Comunicação, esse papel parece ser dos macrófagos do fígado, que por sua vez recebem um estímulo do baço.

“Em modelos animais de inflamação sistêmica, nós verificamos que a produção de TNF no fígado foi aumentada pelo leucotrieno B4 (LTB4) liberado pelo baço. O LTB4 é um mediador derivado do metabolismo de lipídios que participa da regulação da inflamação”, explica Steiner. Segundo ele, muitos estudos mostravam que, quando o baço é retirado, os níveis de TNF ficam reduzidos. “Isso nos surpreendeu, pois agora acreditamos que o TNF diminui devido à falta de estímulo do baço no fígado, e não porque o baço é o principal produtor. O baço deixa de ser visto de forma isolada”, completa.

A regulação da inflamação sistêmica, feita pela comunicação entre baço e fígado, é importante para que haja um equilíbrio na resposta imune. Indivíduos que produzem pouco TNF são imunossuprimidos, ou seja, apresentam uma resposta imune menos eficaz, enquanto o excesso de TNF pode resultar em uma inflamação sistêmica exacerbada, causando danos ao organismo.

“Falhas nesse mecanismo de regulação podem ajudar a explicar a sepse, infecção generalizada que é a principal causa de morte nas UTIs, chegando a 65% no Brasil”, comenta o pesquisador.

Steiner acredita que, por meio de um maior entendimento das interações entre órgãos, futuramente será possível desenvolver estratégias para uma medicina personalizada, com formas de ativar mais o sistema imune ou reduzir a sua atividade, dependendo da necessidade de cada paciente. “A ativação do sistema imune poderia ser feita por meio da administração de leucotrieno B4 ou de outro composto similar, por exemplo. Ao mesmo tempo, para diminuir essa atividade, podemos aplicar um antagonista de leucotrieno B4 – que não impede a produção de TNF e o combate à infecção, apenas reduz.”

O estudo foi feito em modelos de inflamação sistêmica induzida por lipopolissacarídeos (LPS), que são fragmentos de bactérias. Agora o grupo pretende analisar esse mecanismo nas próprias doenças infecciosas e entender em quais circunstâncias há uma maior ou menor ativação do eixo baço-fígado. “Além disso, buscamos compreender qual é a influência da obesidade, do envelhecimento e de outras condições nesse contexto”, conclui o pesquisador.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do ICB-USP .

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