BRASÍLIA — O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub deixou o Brasil e está nos Estados Unidos, segundo informou na manhã deste sábado seu irmão, Arthur Weintraub, assessor especial da Presidência da República. Ontem, o ex-dirigente do Ministério da Educação (MEC), que anunciou sua demissão na última quinta-feira, publicou nas redes sociais que pretendia deixar o país “o mais rápido possível”.

Weintraub responde a investigações no Brasil por racismo e no inquérito que apura ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).  A exoneração de Weintraub foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro  neste sábado (20), em edição extra do Diário Oficial da União, após a divulgação de que o ex-ministro já se encontrava fora do país.

Ao que tudo indica, ele pode ser saído do país, temendo ser preso pelos crimes que respondem, outra informação, são de que aliados do presidente Jair Bolsonaro, pediram pressa na exoneração do mesmo. Conforme publicou no Twitter, que teria que sair do país o rápido possível, é um indicativo que usou a condição de ministro e uma brecha na ordem determinada pelo presidente Donald Trump que restringiu a entrada de brasileiros nos Estados Unidos, em maio. 

Tecnicamente, Weintraub, apesar de ter anunciado sua saída do MEC, ainda era ministro de Estado, com direito, inclusive, a passaporte diplomático, quando viajou. Além disso, como indicado do governo brasileiro a uma vaga no Banco Mundial, ele poderia alegar seu enquadramento na categoria de funcionário de organismo internacional. Porem nessa condição, no entanto, ele pode ser questionado pelo fato de sua ida ao banco ainda não ter sido oficializada.

O economista, que chegou a ocupar um cargo na Casa Civil de Jair Boslonaro antes de substituir Ricardo Vélez Rodriguez no MEC, é investigado no inquérito das fake news. O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na última quarta-feira, manter o agora ex-ministro na investigação após um recurso protocolado pelo ministro da Justiça, André Mendonça. Weintraub responde por seis infrações, incluindo crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social e difamação contra os juízes da Corte.

Na reunião ministerial de 22 de abril, cuja gravação foi liberada por decisão do ministro do Supremo Celso de Mello por ocasião do inquérito instaurado pelas acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de interferência política na Polícia Federal pelo presidente Bolsonaro, Weintraub defendeu a prisão de ministros do STF. No vídeo, ele afirma que apoia a prisão de “vagabundos, começando pelo STF”, apontando para a Praça dos Três Poderes.

No último final de semana, o ex-ministro compareceu a uma manifestação antidemocrática organizada por apoiadores de Bolsonaro. Desrespeitando um decreto do governo do Distrito Federal por circular sem máscaras, Weintraub foi gravado reiterando suas críticas ao Supremo. O episódio acelerou sua saída do ministério, que já era aventada desde o acirramento da crise entre o Executivo e o Judiciário.