Gestão do governo Zema. Auxiliares denunciaram que, em escolas de Unaí e Pouso Alegre, grevistas foram substituídos por alunos para realizar suas funções — prática ilegal, conforme destacou Cerqueira. “Isso é proibido por lei.”
Sandro Moraes Martins, superintendente de Desenvolvimento e Avaliação da Secretaria de Educação, respondeu que as escolas têm autonomia para contratar empresas terceirizadas e pediu que o sindicato formalize as denúncias para apuração.
Relatos expõem precariedade
Os depoimentos, durante a audiência, foram marcados por forte emoção. Terezinha da Cruz, de Salinas, comparou a situação à escravidão. “Trabalho escravo não existe mais, mas Zema está nos escravizando. Estamos pedindo socorro porque não aguentamos tanta maldade.”
Dilma Maria da Silva, de Uberaba, ironizou o recente aumento de 300% no salário do governador. “O que ganhamos não dá nem para o cafezinho que ele toma de manhã.”
Florisbela Mourão, de 85 anos, que trabalhou por décadas como cantineira, resumiu. “É salário de miséria, salário de fome.”
Sindicato entra na Justiça
O Sind-UTE/MG informou que ajuizou uma ação com pedido liminar na Justiça Estadual para garantir que as ASBs recebam pelo menos o salário mínimo.
O departamento jurídico do sindicato alerta que a atual situação causa duplo prejuízo: além de receberem menos, os trabalhadores perdem tempo de contribuição para aposentadoria e acesso a benefícios como auxílio-doença.
“Toda vez que o salário mínimo é reajustado, as ASBs passam a receber abaixo do piso nacional vigente, até que o Estado implemente o reajuste estadual. Essa demora gera uma defasagem salarial injusta e repetida”, esclareceu a entidade, em nota.
Mobilização histórica
A deputada estadual Andréia de Jesus (PT) destacou a importância da mobilização. “Enfrentar um governador que despreza servidores exige muita organização.
Essas trabalhadoras, majoritariamente mulheres, são as responsáveis pelo cuidado nas escolas. Esse cuidado precisa ser valorizado como política pública.”
O outro lado
A reportagem entrou em contato com o governo de Minas Gerais para comentar sobre as denúncias, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.
Jean Silva
Fonte: Brasil de Fato MG
Foto: Guilherme Dardanhan/ ALMG