O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025 e afirmou que políticas brasileiras relacionadas ao Pix, ao comércio digital, ao etanol, à propriedade intelectual e ao combate ao desmatamento seriam prejudiciais aos interesses econômicos norte-americanos.
Como resultado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, medida que ainda passará por consultas públicas e negociações antes de uma decisão definitiva.
O caso reacende uma disputa diplomática entre Brasília e Washington em um momento de forte tensão política entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Um dos principais alvos do documento é o Pix, apontado pelos norte-americanos como um sistema favorecido pelo Banco Central brasileiro em detrimento de empresas privadas de pagamento.
O relatório sustenta que a obrigatoriedade de oferta do Pix por instituições financeiras e a gratuidade para usuários criariam vantagens consideradas injustas pelos Estados Unidos. Especialistas, entretanto, já haviam argumentado quando a investigação foi aberta que muitas das alegações possuem forte conteúdo político e refletem interesses de grandes empresas financeiras internacionais diante do sucesso do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
A ofensiva acontece poucos dias após novos atritos entre os dois países envolvendo a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Enquanto o governo Lula denuncia tentativas de interferência e pressões externas sobre a soberania brasileira, a Casa Branca afirma buscar mudanças em políticas consideradas discriminatória para empresas norte-americanas.
Até julho, representantes dos dois governos devem tentar construir uma solução negociada para evitar a imposição das tarifas, que poderiam atingir setores estratégicos das exportações brasileiras e ampliar ainda mais a crise diplomática entre Brasília e Washington.
Por BBC Brasil



