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Idosa de 84 anos enfrenta peregrinação em busca de atendimento oncológico em Montes Claros

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Uma idosa de 84 anos enfrenta uma verdadeira peregrinação em busca de atendimento especializado em um dos hospitais de referência no tratamento do câncer, em Montes Claros, no Norte de Minas. Sem conseguir uma solução para o seu caso, a família relata dificuldades no acesso à assistência médica e pede ajuda às autoridades e à imprensa.

Segundo a família, em outubro de 2026, dona Maria Rodrigues amanheceu com sangue na roupa. Ao verificarem a situação, perceberam que o sangramento vinha do mamilo da mama esquerda, onde já haviam sido identificados três nódulos.

Diante do ocorrido, a família a levou imediatamente à emergência do Hospital Dilson Godinho, onde ela havia iniciado, há cerca de três anos, o acompanhamento para a retirada dos nódulos, no entanto o tratamento foi interrompido pelo atraso na secretaria municipal de saúde, onde aguardava liberação para execução do procedimento.

Na ocasião, os familiares estavam com a biópsia e os exames em mãos, documentos que comprovam o diagnóstico de câncer. Mesmo diante da documentação médica, do sangramento pelo mamilo e do quadro clínico delicado da paciente, dona Maria recebeu orientações para retornar para casa, sem que fosse garantida uma avaliação especializada naquele momento.

Durante o atendimento, a família informou aos profissionais sobre o sangramento. Na ocasião, dona Maria apresentava pressão arterial de 19/11. Apesar da alteração significativa da pressão, segundo os familiares, não foi administrada medicação para controlá-la naquele momento.

O médico que realizou o atendimento orientou que ela precisaria passar por avaliação com mastologista e oncologista, mas informou que não havia especialistas disponíveis naquele momento. Segundo o relato da família, o profissional mencionou a possibilidade de os nódulos estarem comprimindo vasos sanguíneos e causando o sangramento. Como alternativas, sugeriu procurar outro hospital, buscar atendimento particular ou retornar para casa e, caso o sangramento voltasse, levá-la novamente à emergência.

A família decidiu levá-la para casa. No entanto, no dia seguinte, o problema voltou a acontecer. Dessa vez, dona Maria foi levada à Santa Casa, onde, segundo os familiares, a situação foi considerada grave e com indicação de internação. Entretanto, a orientação recebida foi que retornassem ao Hospital Dilson Godinho, sob a justificativa de que o acompanhamento dos nódulos havia começado naquela unidade e de que também não havia mastologista disponível na Santa Casa.

Seguindo a orientação, a família retornou ao Hospital Dilson Godinho. Mais uma vez, recebeu a informação de que não havia médicos especialistas disponíveis. Segundo os familiares, foi dito que dona Maria poderia aguardar uma consulta com o mastologista, possivelmente no dia 9 de novembro de 2026, ou procurar atendimento particular. Também foi informado que, caso fosse internada, poderia permanecer no corredor aguardando a avaliação do especialista. A orientação, novamente, teria sido levá-la para casa e retornar apenas se apresentasse uma situação de urgência.

Nesse último atendimento no final do mês 10/26, segundo a família, o médico mencionou que estava se formando uma área de necrose.

Um histórico de saúde delicado

A situação é ainda mais preocupante devido às condições de saúde de dona Maria. Aos 84 anos, ela é hipertensa, diabética, possui arritmia cardíaca e sofreu um AVC no início deste ano. Também convive com duas úlceras, uma em cada perna, há aproximadamente cinco anos, sem que as feridas cicatrizem.

Segundo a família, apesar de estar há anos na fila de espera por atendimento especializado na rede pública para tratar as feridas, nunca conseguiu acesso efetivo a esse serviço. Atualmente, os próprios familiares realizam os curativos em casa, sem o acompanhamento especializado necessário.

Uma espera que começou em 2023

A família relata que, ainda em 2023, recebeu a informação de que os nódulos na mama poderiam ser de natureza cancerígena. Na época, foram realizados os procedimentos solicitados pela Secretaria Municipal de Saúde, e a orientação recebida foi aguardar. No entanto, segundo os familiares, nenhuma resposta ou encaminhamento efetivo foi apresentado. Com o passar do tempo, diante da falta de retorno, a família precisava procurar os serviços repetidamente e acabou ficando sem uma solução para o caso.

Agora, com o surgimento do sangramento e o agravamento da situação, a preocupação aumentou ainda mais.

Dona Maria é viúva e, aos 84 anos, enfrenta um momento extremamente delicado de saúde. A família afirma que já não sabe a quem recorrer diante das dificuldades para conseguir atendimento e tratamento adequados.

O que os familiares pedem é uma oportunidade de atendimento digno, avaliação especializada e uma solução para que dona Maria não continue sendo levada de um hospital para outro, sem conseguir a assistência de que necessita.

O episódio do sangramento no mamilo, voltou a se repetir nessa data de 3/11/26. Sabendo que dificilmente vão ser atendidos, seguem sem saber a quem recorrer.

A família pede ajuda. Aos 84 anos, dona Maria precisa de cuidado, respeito e acesso ao serviço de saúde.

Santos Rodrigues Andrade
Jornalista investigativo.
MTB 0026125/MG

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